Silvia Cintra + Box4

Iole de Freitas na Exposição Artevida no Rio de Janeiro26 Jun 2014

A partir de 27 de junho, o Rio de Janeiro terá em cartaz "Artevida", a primeira e maior exposição internacional de sua história, pensada especialmente para a cidade pelos curadores Adriano Pedrosa e Rodrigo Moura.

Organizada pela Secretaria de Estado de Cultura, com patrocínio do Itaú e da Petrobras, Artevida explora a relação entre ‘arte e vida’, com foco nas práticas artísticas brasileiras e, particularmente do Rio de Janeiro, entre os anos 1950 e início de 1980. A mostra se propõe conectar e ler certa produção de arte deste período, do Brasil e do sul global, extraindo ligações e correspondência pelas narrativas múltiplas, e desafiar cânones históricos, fora do eixo do hemisfério norte.

A partir destas hipóteses curatoriais, Artevida reúne cerca de 110 artistas, oriundos de quatro continentes, e quase 300 obras, em alguns dos espaços culturais mais importantes da cidade: Casa França-Brasil, Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Biblioteca Parque Estadual e Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. São pinturas, esculturas, instalações, fotografias, desenhos e vídeos, selecionados pelos curadores, de cerca de 25 países do Leste Europeu, da África, Ásia, do Oriente Médio e das Américas, com ênfase em artistas do sexo feminino.

A ideia de “arte e vida”, proposta pelos artistas neoconcretos – em favor de uma arte que estabelecesse diálogos e tensões com aspectos da vida e do mundo – é fundamental para o período formativo da arte contemporânea no fim dos anos 1950, e tem fortes desdobramentos nas décadas seguintes, ao se confrontar com a situação política do Brasil.

Segundo os curadores, esse é o momento em que, com iniciativas como o Neoconcretismo e a discussão política desenvolvida pelos artistas entre os anos 1960 e 1970, o Brasil dá uma grande contribuição para a história da arte internacional. E é esta contribuição brasileira que vem sendo explorada e discutida por curadorias no mundo inteiro nos últimos anos, em exposições coletivas e individuais, principalmente nos Estados Unidos e na Europa, mas a partir do ponto de vista norte-americano e europeu.

“As narrativas hegemônicas da arte do hemisfério norte vêm se apropriando da história da arte no Brasil, na América Latina e em outras periferias de maneira geral, e lendo essas iniciativas a partir da sua própria experiência de arte. O que propomos aqui é o inverso disso: o Neoconcretismo e as vanguardas e neovanguardas dos anos 1960 e 1970 como uma matriz de leitura não só para a arte produzida aqui, mas em outros lugares do mundo também”, aponta Rodrigo Moura. “Olhar para o mundo da arte não através de uma perspectiva europeia ou norte-americana, e sim através das nossas lentes, nossos filtros, invertendo essa angulação”, completa Adriano Pedrosa.

artevida em quatro eixos
A exposição está dividida em duas seções principais:

artevida (corpo), na Casa França-Brasil, compreende subseções em torno do autorretrato, do corte e do corpo em transformação; a linha orgânica e a trama como alternativas para a ortodoxia da abstração geométrica; obras interativas, articuladas e participativas, como as obras Bichos de Lygia Clark;

artevida (política), no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, reúne obras feitas sob ou na resistência a regimes autoritários e segregacionistas, em torno de temas como vultos, feminismos, banners, mapas e símbolos nacionais, guerra e violência, racismo, votos e eleições, manifestações, trabalho, censura e prisão.

Outras duas divisões completam o projeto:

artevida (arquivo)
, na Biblioteca Parque Estadual, com cocuradoria de Cristiana Tejo, contará com parte do arquivo de Paulo Bruscky, artista baseado em Recife, com cerca de 400 ítens, expostos em vitrines temáticas, selecionados a partir de seu arquivo de 70 mil documentos: livros de artista, arte postal, convites de exposições, cartas entre artistas, carimbos, adesivos, revistas, recortes de jornal etc. Também faz parte desta seção, na Biblioteca, o Arquivo Graciela Carnevale, membro do Grupo de Arte de Vanguardia de Rosário (Argentina).

artevida (parque), na Escola de Artes Visuais do Parque Lage estarão obras da artista maceioense Martha Araújo, no palacete neoclássico, a instalação da japonesa Tsuruko Yamazaki, na piscina da Escola de Artes Visuais, e um projeto inédito, o único comissionado pela exposição, do artista do Benin Georges Adéagbo, nas Cavalariças, dentro dos jardins do Parque Lage.

Martha Araújo apresenta peças de vestuário em tecido e velcro que permitem interatividade quando vestidas, e fotos de registros de performances com as roupas. O público vai poder usar macacões com velcro da artista e rolar sobre uma rampa de carpete.

Duas inaugurações - A mostra Artevida abre em duas etapas.

Sexta-feira, 27 de junho, inauguram:
- 11h, artevida (corpo), Casa França-Brasil;
- 13h, Arquivo Paulo Bruscky | artevida (arquivo), Biblioteca Parque Estadual; 
- 15h, individual de Martha Araújo, no Palacete, e a instalação de Tsuruko Yamazaki na piscina da Escola de Ares Visuais | artevida (parque), Parque Lage

Sábado, 19 de julho, abrem:
- 16h, Arquivo Graciela Carnevale | artevida (arquivo), Biblioteca Parque Estadual; 
- 17h, artevida (política), MAM Rio; 
- 19h, trabalho inédito de Georges Adéagbo, nas Cavalariças do Parque Lage | artevida (parque).

Todas as seções encerram temporada dia 21 de setembro de 2014.

Guia, conferência e catálogo
Em 19 de julho, na abertura do segundo segmento de Artevida, será lançado um guia ilustrado de 140 páginas, com uma obra e minibiografia de todos os artistas participantes. 

Uma conferência, aberta ao público, acontecerá em 5 e 6 de setembro, na Biblioteca Parque Estadual, com a participação de curadores independentes e ligados a instituições internacionais de arte.

Será lançado um catálogo abrangente com vistas dos espaços expositivos, incluindo ainda as contribuições do seminário.

Curadores
Adriano Pedrosa é curador, escritor e editor. É carioca e vive em São Paulo. Estudou Direito na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Economia na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, cursos de arte na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, e mestrado em arte e crítica no California Institute of the Arts (título de Master in Fine Art). Foi curador e cocurador de diversas instituições e bienais internacionais de arte, como a de Istambul 2011. Em 2012 foi indicado pela revista Art Review como um dos 100 nomes mais importantes do mundo da arte.

Rodrigo Moura, editor e crítico de arte, é diretor de programas artísticos e culturais do Instituto Inhotim. Foi curador (2004-2006) do Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte, e tem ensaios publicados em catálogos e revistas especializadas internacionais. É co-editor do livro “Inhotim: Através” (2008), sobre a coleção do Museu.

Serviço

Casa França-Brasil
Rua Visconde de Itaboraí 78
Centro – RJ 
21 2332 5120
Terça a domingo, 10 às 20h. Grátis.
De 28 de junho até 21 de setembro de 2014

Biblioteca Parque Estadual
Av. Presidente Vargas 1261
Centro – RJ 
21 2332 7225
Terça a domingo, 10 às 20h. Grátis.
De 28 de junho até 21 de setembro de 2014

Escola de Artes Visuais do Parque Lage 
Rua Jardim Botânico 414 
Jardim Botânico – RJ
21 32571800
Palacete: Segunda a quinta, 9 às 19h; sexta a domingo, 9 às 17h. Grátis
Cavalariças: Diariamente, das 10h às 17h. Grátis.
De 28 de junho até 21 de setembro de 2014

Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro
Av. Infante Dom Henrique 85
Parque do Flamengo – RJ 
21 2240 4944
Terça a sexta, 12 às 18h. Sábados, domingos e feriados, 11h às 18h. 
[a bilheteria fecha 17h30]. R$ 14
De 19 de julho até 21 de setembro de 2014

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