Silvia Cintra + Box4

Mostra celebra os 70 anos de Iole de Freitas no MAM do Rio de Janeiro16 Jul 2015

Abre no próximo sábado, 18 de julho, a partir das 15h, a exposição "O peso de cada um", no MAM do Rio de Janeiro.  
A mostra comemora os 70 anos da artista. Veja detalhes da individual no release abaixo: 

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro apresenta, a partir do próximo dia 18 de julho, a exposição “Iole de Freitas – O peso de cada um”. Com curadoria de Ligia Canongia, a mostra vai ocupar o Espaço Monumental do Museu com uma instalação inédita, feita especialmente para o local, composta por três esculturas de grandes dimensões, duas suspensas e uma no chão, em aço inox espelhado e fosco, que pesam no total quase quatro toneladas. Um dos grandes nomes da arte contemporânea, Iole de Freitas comemora 70 anos em 2015, e a exposição no MAM traz ainda trabalhos em vidro com impressão fotográfica sobre película, da série “Escrito na água”, de 1996/1999, pertencentes a seu acervo pessoal e à Coleção Gilberto Chateaubriand/ MAM Rio. 

Com uma trajetória de mais de quarenta anos de atividade, celebrada em exposições em espaços prestigiosos no Brasil e no exterior, Iole de Freitas está trabalhando agora com chapas de aço, e não mais com as estruturas em policarbonato e tubos de aço inox, que marcaram sua produção desde 2000, quando expôs no Centro Municipal de Arte Helio Oiticica, no Rio.  

Iole de Freitas construiu para o Espaço Monumental do Museu duas esculturas aéreas, suspensas no ar, com chapas de aço inox de 6m x 1,5m, curvadas, com fortes torções, tensionadas por linhas de aço – que a artista chama de “flechas” – pesando cada em torno de 700 a 800 quilos. A terceira escultura estará no chão, em meio às outras duas, pesando em torno de duas toneladas, com aproximadamente 7,80m de comprimento, cinco de metros de largura e três metros de altura. 

Para a exposição no MAM ela conta que quis “eliminar qualquer material que tivesse a impregnação da leveza, do através, do translúcido”. “Queria uma outra matéria, uma outra corporeidade, que o trabalho tomasse um outro corpo, daí o metal”, diz, lembrando que “Elements”, filme em super 8 de 1972, e um de seus primeiros trabalhos, continha mercúrio, o metal líquido. 

Dentro da mesma ideia de evitar a transparência, ela realiza um suave espelhamento na superfície das chapas, mantendo fosco um dos lados. “Quis devolver ao espectador e a mim mesma a própria imagem”. “As pessoas vão gostar de se perceberem de uma maneira diferente em um espaço institucional ativado e transformado pela presença da obra. Ora se vendo, ora se deslocando, elas se sentirão duplamente incorporadas no espaço, tendo seu corpo em deslocamento, e o trabalho ali presente”, comenta. Os trabalhos com policarbonato da última década também tinham uma superfície refletora, que a artista pretendeu acentuar ainda mais nas suas esculturas atuais. A questão do espelhamento também esteve presente desde seus trabalhos dos anos 1970, como nas séries fotográficas “Introvert/Penetrate: Extrovert/Penetrate”, de 1973-74, e na série “Glass pieces/Life slices” (“Cacos de vidro/Fatias de vida”), de 1973 a 1978. Na época, morando em Milão, ela discutia questões como identidade, o feminino e a body art.

ARTE E ARQUITETURA
Iole de Freitas explica que trabalha sempre em “estreita relação com a arquitetura”. Ela busca “as possibilidades de usar o sistema estrutural da arquitetura, fazendo com a obra potencialize toda sua linguagem”. A relação com o espaço, assunto essencial da artista – que desde os anos 1990 desenvolve a pesquisa “Para que servem as paredes dos museus?” – é a principal questão da exposição no MAM. Da mesma forma como lidou com construções projetadas pelos arquitetos Grandjean de Montigny (Casa França-Brasil, Rio), Francisco Joaquim Bethencourt da Silva (Casa Daros, Rio), Alvaro Siza (Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre), ou Simon Louis du Ry (Museu Fridericianum, em Kassel, Alemanha), Iole de Freitas mergulhou no projeto de Affonso Eduardo Reidy, que fez do MAM um dos marcos do modernismo brasileiro. 

DESENHOS, MAQUETES E PROTÓTIPOS
Há quinze anos, ela conta em seu trabalho com o acompanhamento do engenheiro calculista Geraldo Filizola. Mas no diálogo entre eles, por diversas vezes é a artista, e não o especialista em engenharia, que demonstrou ter razão. Depois de estudar o espaço, e recorrer às anotações em seus inseparáveis cadernos tipo moleskine, Iole de Freitas desenvolve esboços – em desenhos e em três dimensões – e maquetes feitas na escala do trabalho, e com o próprio material que vai usar, neste caso o aço inox. É neste estágio, o das maquetes, que ela trabalha incessantemente, buscando aperfeiçoar o resultado estético. Por fim constrói protótipos em escala real, de cada obra, em seu ateliê-galpão em Santa Teresa. “Eu tenho que ver. Não adianta. É o olho que determina. Quando não está esteticamente bom é porque está estruturalmente errado”, afirma. 

A artista criou um minucioso sistema de gabarito para detalhar as medidas e ângulos necessários para a execução da peça, mas ainda assim seu processo criativo continua a se desenvolver mesmo dentro da calderaria, junto com a equipe técnica que trabalha o aço. Para as obras da exposição no MAM, Iole de Freitas passou oito dias acompanhando passo a passo o trabalho dos profissionais até obter as relações estéticas que desejava. “Foram tarefas minuciosas e árduas, até que as grandes chapas ousaram tomar as formas curvas e principalmente receber as fortes torções, que são diferenciadas em cada uma, de forma cada vez mais radical, chegando ao limite do procedimento, da técnica”, conta.

Ligia Canongia, curadora da exposição, observa em seu texto que “de sua formação no mundo da dança, Iole de Freitas guardou o valor dos deslocamentos e da elasticidade que os gestos corporais ativam no espaço, assim como o caráter ao mesmo tempo preciso e volúvel dos cruzamentos entre as formas e o ambiente”. Ela acrescenta que “o uso das placas resistentes do aço inox, portanto, surge agora como um desafio para o raciocínio do trabalho, demandando novos arranjos formais, maior dispêndio de forças para a manutenção de seu equilíbrio, tensões mais arrojadas entre a escultura e o lugar, acuidade nas questões rítmicas e cinemáticas da obra, além de um embate mais enfático entre o lírico e o estrutural”.  

CATÁLOGO E CONVERSA ABERTA
A exposição será acompanhada de um catálogo com texto crítico da curadora Ligia Canongia e apresentação do curador do MAM Luiz Camillo Osorio, e projeto gráfico de Rara Dias. A publicação, que tem apoio da Galeria Raquel Arnaud, terá ainda uma cronologia ilustrada da trajetória da artista, e tem lançamento previsto para o dia 11 de setembro às 18h, na Art Rio, precedido de conversa aberta com os dois autores dos textos. 

Serviço
Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro  [Espaço Monumental]
Abertura: 18 de julho de 2015, às 15h
Exposição: até 13 de setembro de 2015
De terça a sexta, das 12h às 18h; sábado, domingo e feriado, das 11h às 18h. 

Ingresso: R$14,00
Estudantes maiores de 12 anos: R$7,00
Maiores de 60 anos: R$7,00
Amigos do MAM e crianças até 12 anos: entrada gratuita
Quartas-feiras a partir das 15h: entrada gratuita 
Domingos ingresso família, para até cinco pessoas: R$14,00

Endereço: Av. Infante Dom Henrique, 85
Parque do Flamengo – Rio de Janeiro – RJ 20021-140 
Telefone: 21. 3883.5600
www.mamrio.org.br

Curadoria: Ligia Canongia 
Produção: Tisara Arte Produções
Patrocínio: Lei de Incentivo à Cultura | Ministério da Cultura e 
Mantenedores do MAM [Petrobras, Bradesco Seguros, 
Light e Organização Techint]


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