Silvia Cintra + Box4

Nelson Leirner expõe na 1ª edição da Mostra 3M de Arte Digital no Rio09 Out 2015

A Lapa e a Fundição Progresso, no Rio, estão respirando arte desde o dia 9 de outubro por conta da "Mostra 3M de Arte Digital". Pela primeira vez em terras cariocas, depois de cinco bem-sucedidas edições paulistas, a exposição traz o tema “WhatsAppropriation - A arte de revisitar a arte”. 


O artista holandês Max Zorn, conhecido por seu trabalho com fitas adesivas sobre backdrop, está produzindo obras inspiradas na arte brasileira e virá ao Brasil realizar uma performance dentro da programação da Mostra. Às sextas-feiras, enquanto acontece a Mostra, serão exibidos filmes relacionados com o tema no cinema da Fundição Progresso

Nelson Leirner está entre os 22 artistas nacionais e internacionais que vão dialogar com obras de pintores dos últimos cinco séculos. A mostra no Rio termina em 25 de outubro.

Veja os núcleos temáticos da mostra:

"Imaginários brasileiros - A história imagética brasileira foi construída a partir do olhar estrangeiro. Como salienta a curadora Claudia Giannetti. O Brasil pré-colonial não tinha - como nossos vizinhos andinos ou o México, por exemplo - um conjunto de imagens que nos representasse. Foi a partir da chegada de artistas estrangeiros ao país que começamos a ser representados: uma identidade construída de fora para dentro. Claudia faz uma ponte dessa construção através de Frans Post, Victor Meirelles até Guignard. E vai buscar nos artistas do século XXI uma nova leitura sobre essas obras fundadoras da nossa identidade brasileira: Felipe Cama e Cao Guimarães.

Imaginário feminino - Cinco artistas formam um conjunto de olhares sobre a representação do feminino na arte. "Enquanto Martha Rosler ocupa-se do rol da mulher no entorno doméstico e privado, Nicola Constantino, Sükran Moral, Patricia Reis e Ulrike Rosenbach abordam, em contraste, a representação feminina como Vênus ou Diana mitificadas, ou como musas ou femme fatale secularizadas", explica Claudia. Neste núcleo/sala, encontramos apropriações de obras emblemáticas e de artistas facilmente reconhecíveis como Botticelli e Velásquez.

Grandes microrrelatos - "Os trabalhos expostos no núcleo dedicado aos Grandes microrrelatos parecem, à primeira vista, díspares. Uma observação mais sensível permite reconhecer diálogos profundos entre as obras de Cristina Lucas, Lech Majewski, Vik Muniz e Bill Viola", diz a curadora sobre a sala cujo foco é a fragmentação que coloca em debate a narrativa linear, assim como a construção da história do povo e da condição humana, analisada em microcosmos espaço temporais. Os artistas selecionados por Claudia já buscam, na origem, obras fragmentadas para construir suas próprias narrativas, como Bosch e Pieter Bruegel.

Naturezas mortas - O auge desse estilo de pintura realista foram os séculos XVII e XVIII. Claudia chama a atenção para o fato de que talvez, "a maioria das pessoas não seja consciente da forma como este modelo de representação perdura até nossos dias e como está profundamente presente na vida cotidiana do consumo. Fotografias publicitárias de alimentos ou objetos se apropriam das composições pictóricas dos quadros de natureza-morta. (...) Agora, como na época, o objetivo destas representações é captar a atenção do cliente potencial: os então compradores de arte e os atuais consumidores”. Os artistas selecionados para esse núcleo são Ori Gersht e Carlos Fadon Vicente.

Iconografias - Num mundo essencialmente iconográfico, Claudia elege duas imagens religiosas profundamente disseminadas no imaginário popular para tratar do assunto: a Pietà e a Última Ceia. "Gómez-Peña, López, Majewski e Leirner entenderam o paradoxo intrínseco à imagem clichê: seu uso alastrado a tornam uma imagem vulgar" e de domínio público. As experiências iconoclastas, como a do artista performático Gómez-Peña, a fotografia burlesca de Marcos López ou as obras sempre irônicas de Leirner, contrastam com a reencenação de Majewski da crucificação de Jesus.

Performáticas - Uma das questão mais debatidas hoje em dia em relação à performance é seu modelo de "conservação". Como uma obra efêmera poder sobreviver? Eva e Franco Mattes lançaram mão dos recursos da realidade virtual da Internet para oferecer uma resposta a essa questão: através da simulação em Second Life. Apresentam três obras da série Reenactments (2007-2010), que se desenvolvem no espaço virtual aberto à participação do usuário: Imponderabilia, de Marina Abramovic; Shoot, de Chris Burden; e Tapp und Tastkino, de Peter Weibel e Valie Export.

Relatos Privados - Olhares sobre a vida das pessoas comuns, lançados pelo famoso pintor norte americano Edward Hopper, são fonte de inspiração para os trabalhos do cineasta Gustav Deutsch e o fotógrafo mineiro Marcelo Coelho neste núcleo, que busca desvendar ambientes e histórias privadas. Assim, Deutsch e Coelho trazem uma representação do indivíduo do século XXI, que dialoga com o sujeito das primeiras décadas do século XX." 

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