Ana Maria Tavares
1958 —
Ana Maria Tavares
Belo Horizonte, 1958.
Ana Maria Tavares (Belo Horizonte, 1958) vive e trabalha em São Paulo. Bacharel em Artes Plásticas pela FAAP (1982), mestre pela School of the Art Institute of Chicago (1986) e doutora pela Universidade de São Paulo (2000), dedica-se a atividades didáticas em nível superior desde 1982, tendo atuado na Escola de Comunicações e Artes da USP entre 1993 e 2017, onde colabora até hoje no Programa de Pós-Graduação.
Em sua produção, a compreensão de que a natureza tropical e a arquitetura são construções ideológicas no centro da tríade modernismo–modernidade–modernização leva à conceituação de obras que questionam as implicações políticas, econômicas e sociais do movimento moderno no Brasil. Seus trabalhos confrontam técnicas industriais com artesanais, incorporando o ornamento — elemento eliminado da arquitetura moderna — para interrogar questões de gênero, raça e alteridade. Desde a década de 1990, a natureza tropical se torna o eixo central de suas investigações, representada por meio de releituras de obras de Burle Marx, dos nenúfares Victoria Amazônica e das bacias hidrográficas brasileiras, em diálogo com o pensamento de arquitetos modernistas como Adolf Loos, Le Corbusier, Oscar Niemeyer e Lina Bo Bardi.
Ao longo de sua trajetória, recebeu importantes reconhecimentos, entre eles a bolsa da Guggenheim Foundation, Nova York (2001); o convite da Rijksakademie de Amsterdã (2005); a nomeação para a Ida Ely Rubin Artist-in-Residence pelo MIT (2007); e o prêmio Lynette S. Autrey Visiting Scholars pelo Humanities Research Center da Rice University, Houston (2013). Em 2016, recebeu da APCA o prêmio de Melhor Retrospectiva pela mostra “No Lugar Mesmo: uma Antologia da obra de Ana Maria Tavares”, na Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Sua primeira individual, “Objetos e Interferências”, foi realizada na Pinacoteca do Estado de São Paulo em 1982. Entre as exposições individuais mais relevantes, destacam-se “Porto Pampulha” (1997), no Museu de Arte da Pampulha; “Relax’o’vision” (1998), no MuBE; “Enigmas de uma Noite” (2004), no Instituto Tomie Ohtake; “Tautorama” (2013), no Paço das Artes; “Atlântica Moderna: Purus e Negros” (2014), no Museu Vale; “Cárceres a Duas Vozes: Piranesi e Ana Maria Tavares” (2015), no Museu Lasar Segall, São Paulo; “Forgotten Mantras” (2016), “O Real Intocável” (2019) e “Naturalítica e Hierbabuenas” (2023), na Galeria Silvia Cintra, Rio de Janeiro; “Campo Fraturado, SOS” (2021), no Museu de Arte Moderna de São Paulo; e “Sortir du Silence: Au-delà de la modernité” (2023), na Galleria Continua, Paris.
Participou de quatro edições da Bienal Internacional de São Paulo (1983, 1987, 1991 e 2000), da VII Bienal de Havana (2000), da Bienal de Istambul (2001) e da Bienal de Cingapura (2006). Entre as exposições coletivas internacionais, merecem destaque “Modernité, Art Bresiliènne du XX Siècle”, Musée d’Art Moderne de la Ville de Paris (1987); “Ultramodern: The Art of Contemporary Brazil”, National Museum for Women in the Arts, EUA (1993); “Living Inside the Grid”, The New Museum of Contemporary Art, Nova York (2003); “Farsites: Urban Crisis and Domestic Symptoms in Recent Contemporary Art”, San Diego Museum of Art (2005); “Grandeur: Sonsbeek_10”, Holanda (2008); “When Lives Become Form: Creative Power from Brazil”, Hiroshima City Museum of Contemporary Art e Museum of Contemporary Art Tokyo (2009); “Neo-Tropicália”, Yerba Buena Center for the Arts, EUA (2009); “Spots, Dots, Pips, Tiles: An Exhibition About Dominoes”, Perez Museum, Miami (2017); “A Máquina do Mundo”, Pinacoteca do Estado de São Paulo (2021); “Contemporary Art & Sculpture Park at Bechyne Castle”, República Tcheca (2023); “Cloudwalker”, Museum Voorlinden, Holanda (2024); e “Du Pixel à La Matière”, Pont du Gard, França (2024).
Suas obras integram coleções públicas no Brasil e no exterior, entre elas o Kröller Müller Museum e o Voorlinden Museum, na Holanda; o FRAC-Haute Normandie, na França; a Fundação de Serralves e a Culturgest, em Portugal; a Fundação Arco, na Espanha; o Museum of Fine Arts Houston; o Museum van Hedendaagse Kunst Antwerpen, na Bélgica; a Pinacoteca do Estado de São Paulo; o Museu de Arte Contemporânea da USP; o Museu de Arte Contemporânea de Niterói; o Museu de Arte Moderna de São Paulo; o Museu de Arte de Brasília; o Museu de Arte da Pampulha; e o SESC Belenzinho.








